Conversando com uma cliente no último sábado, este assunto surgiu quando discutíamos a respeito de alguns cabeleireiros aqui da região do Jardim Anália Franco, uma região de grande concentração de imóveis de alto padrão e consequentemente, de empreendimentos idem.
É normal, a mulher apresentar o seu cabeleireiro como suprassumo da profissão, o melhor disso ou daquilo. Ganhador de prêmios etc. Isso é inerente ao ser humano. Todo mundo gosta de ser amigo de famosos!
A discussão é exatamente esta? Será mesmo que todo cabeleireiro tem necessariamente de ser "famozérrimo" para fazer sucesso? Será mesmo que a figura do cabeleireiro tem de ser alçada ao rol dos deuses na terra para poderem ser reconhecidos?
Vemos cabeleireiros famosos toda hora na TV ou em revistas. Profissionais como Marco Antonio de Biaggi, grande pessoa e profissional do mais alto gabarito, Wanderley Nunes, que dispensa apresentações e é também um profissional exemplar e tantos outros que igualmente competentes, fazem seu trabalho voltado á mídia! Mas existe uma legião de profissionais, que realizam em seus modestos salões trabalhos do mais alto nível técnico, mantém uma enorme quantidade de clientes satisfeitas e que não aparecem em TV ou revistas.
Como disse Rodrigo Cintra no palco do Sumirê Fashion Show: " Ganhei dinheiro primeiro para depois poder pagar um assessor de imprensa para me colocar aparecendo em TVs e revistas do ramo" Veja só: Rodrigo Cintra, cabeleireiro que admiro muito por seu trabalho pois já trabalhamos juntos no CTA de Guarulhos, assume publicamente que tem de pagar um assessor de imprensa para fazê-lo "aparecer". Isso não seria uma inversão completa de valores?
Apesar de nunca ter trabalhado para ser famoso, sou um cabeleireiro de razoável círculo de amizades, para não parecer pretencioso. Fui agraciado com o troféu "Tesoura de Ouro destaque 2009", ministro cursos de aperfeiçoamento para pelo menos 1300 profissionais por ano e atendo em nosso salão como cabeleireiro e colorista inúmeras clientes todas as semanas. Posso me sentir realizado com tudo isso!
Mas o que pensar por exemplo quando um chef de cozinha, começa a aparecer em revistas e programas de TV não para nos presentear com receitas mirabolantes mas para falar sobre a sua vida amorosa, seus hábitos e manias? Não seria também uma inversão de valores? Claro que sim.
Acabei de ler uma importante revista a entrevista de oito chef´s de cozinha! OITO!!! Acho que eles estão assumindo uma posição tão elitista na sociedade enquanto que, pessoas ainda morrem a nossa volta, em contrassenso, por não poder escolher seu "chef" . Nem o que comer.
Pense bem antes de transformar pessoas comuns, que exercem bem sua profissão, em semideuses! Papai-do-céu agradece!
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Forte abraço




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